Porque países têm investido na educação financeira para crianças ?

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Tuesday, 21 de April de 2020                 

Com a pandemia provocada pelo Covid 19 a economia mundial entrou em colapso. Grandes e pequenas empresas que garantiam emprego a centenas de trabalhadores fecharam suas portas. A falta de comércio e movimentação de pessoas para comprar levou a perda considerável de rentabilidade nas empresas, com isso, houve acúmulo de dívidas.

As mesmas, por falta de recursos financeiros e não havendo outras alternativas, foram obrigados a demitir seus funcionários. crise financeira provocada pelo Covid 19, não apenas afetou o mundo dos empreendedores e empresários. Como também, atingiu centenas de milhares de trabalhadores informais, pessoas sem carteira assinada, como diaristas e vendedores ambulantes. Os quais, não podem trabalhar assim como milhares de outros trabalhadores ao redor do mundo em virtude ao respeito e prevenção das normas de isolamento social. Medidas essas importantes que visam conter o número de casos provocados pelo Covid 19, bem como, impedir a morte da população em meio à pandemia.

Com milhares de pessoas desempregadas e sem qualquer investimento ou aplicação financeira que lhes dessem retorno. Trabalhadores ao redor do mundo foram obrigados a aguardar a  ajuda emergencial proveniente dos governos de seus respectivos países para garantir-lhes a sobrevivência. Apenas nos Estados Unidos mais de 22 milhões de pessoas no último mês solicitaram a ajuda emergencial. Enquanto isso, o Brasil conta com 32 milhões de pessoas que já solicitaram a ajuda emergencial, e o governo estima que esse número aumenta para 70 milhões. 

Entretanto, apesar dos diversos problemas trazidos pelo Covid 19, sejam eles na saúde pública ou no setor financeiro ,esse é um momento que também traz consigo um período reflexivo para mudança de comportamento da própria humanidade. O Covid 19 e o colapso econômico mundial permitiu com que refletíssemos sobre o sistema econômico do nosso país, bem como, a carência de grande parte da população quando o assunto se trata de educação financeira.

A educação financeira é um tema que não faz parte da própria cultura brasileira. Está ausente nas grades curriculares das instituições de ensino, bem como, também não está presente no ensino doméstico entre pais e filhos.  De acordo com pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, apenas 42% da população brasileira tem alguma aplicação financeira. Portanto, quando o assunto se trata sobre finanças, nós, brasileiros, somos analfabetos. 

Alguns países têm colocado o ensino sobre educação financeira como questão de prioridade em suas nações desde a educação infantil. Como é o caso da Finlândia. O país nórdico que fica localizado no norte da Europa, passou por uma das maiores revoluções no ensino público em todo o mundo.

Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE ) e a ONU, o sistema público de educação Finlandesa ocupa  o primeiro lugar, sendo considerado, portanto, um dos melhores do mundo no quesito educação. O sistema educacional na Finlândia é completamente gratuito, não havendo distinção entre classes sociais, bem como, a carreira da magistratura é uma das mais valorizadas e prestigiadas no país. A educação para os finlandeses fazem parte de sua cultura. 

A Finlândia, assim como, a Noruega, Dinamarca, Suécia, Israel e Canadá são os países  que mais investem em alfabetização financeira para crianças. Países esses que apresentam os maiores índices de desenvolvimento humano (IDH), indicador social que avalia o desenvolvimento da sociedade na educação, saúde e renda.

De acordo com a OCDE, a alfabetização financeira deveria ser obrigatório no currículo escolar das crianças. Para eles, a alfabetização financeira faz parte das noções básicas para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária, mais justa e que garantirá o melhor desenvolvimento do país.

Crianças que compreendem como manipular o dinheiro, bem como, a lidar com as frustrações e felicidades advindas da remuneração pelo dinheiro, mudam seu perfil comportamental e lhes permitem a tomar melhores decisões e mais responsáveis ao longo de suas vidas. O impacto da alfabetização financeira ainda na infância promove mudanças não apenas imediata no desenvolvimento das crianças, mas, mudanças duradouras ao longo da vida do indivíduo e, portanto, de toda a sociedade.  

                 

Uma pesquisa realizada pelo S&P Ratings Services Global Financial Literacy Survey (Pesquisa Global de Educação Financeira da divisão de ratings e pesquisas da Standard & Poor’s) revelou que o Brasil ocupa a 74ª posição no ranking global que avalia sobre alfabetização da população em educação financeira, ficando atrás de alguns dos países mais pobres do mundo, como o Zimbábue.

Cientistas afirmam que para que tenhamos um  melhor aprendizado e entendimento sobre educação financeira, necessitam melhor compreender como o cérebro humano processa a tomada de decisões financeiras. Desse modo, pesquisadores têm utilizado técnicas não invasivas como o fMRI (Ressonância magnética funcional) e o EEG (eletroencefalograma) nesses estudos. 

Em uma das pesquisas, a qual foi intitulada por “Neurofinance: How do We Make Financial Decisions”, os pesquisadores utilizando o fMRI descobriram que tomar decisões relacionadas a dinheiro envolvem diferentes áreas cerebrais, dentre elas, o córtex orbitofrontal, o córtex medial pré frontal, a amígdala, a ínsula, o nucleus accumbens, o estriado e outras áreas neurais. Estruturas como núcleo accumbens e ínsula estão ativadas em tomadas de decisão de risco, bem como, procura de erros durante uma decisão que envolve risco. 

A alfabetização financeira para crianças talvez seja uma medida de extrema relevância a ser adotada como parte cultural em todas as sociedades globais. Desse modo, a alfabetização financeira deve estar presentes nos currículos escolares ao redor do mundo, bem como, dentro dos ambientes familiares.

Tendo a neurociência como base de investigação e gestora para construção de um melhor relacionamento e comportamento do homem diante do sistema monetário e todas as emoções, benefícios e prejuízo advindo dele. Talvez dessa maneira, a humanidade estará mais preparada para abrandar crises financeiras que possam surgir ao longo da construção da civilização humana. Bem como constitui elemento fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade mais independente, responsável e justa.

Fonte: https://www.brainlatam.com/

 

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